LEALDADE X DESLEALDADE – Parte 1

“Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel.” I Cor 4:2

Queridos líderes, obreiros, servos de Cristo que labutam na seara do Senhor. Este artigo foi inspirado na leitura do livro com o mesmo tema escrito pelo pastor Dag Heward-Mills.
A lealdade é apresentada como uma característica forte na formação de um obreiro no Reino de Deus.
Espero que possamos pensar juntos sobre esta qualidade importante e necessária em todos os níveis. Tanto no sentido de nossa lealdade vertical (Deus e sua palavra) como no horizontal (Nossos relacionamentos; isto inclui nossos líderes, nossos liderados e perfeitamente aplicável em nossa família, trabalho…).
Analisando como igreja, vamos focar em nossa relação ministerial; o que envolve o serviço prestado no Reino de Deus e a igreja local, isto é o corpo de Cristo.
Este ponto é fundamental: Somos corpo e corpo de Cristo. Se fazemos parte do corpo então a virtude da lealdade irá contribuir para unidade e fortalecimento da igreja bem como para a expansão do evangelho e edificação dos santos.
A lealdade corresponde à maturidade emocional, enquanto a fidelidade é fruto de uma vontade de cumprir normas e compromissos assumidos.
A lealdade é uma questão moral, e é uma das bases para um relacionamento saudável entre duas ou mais pessoas. Reforço que como princípio de caráter cristão nossa lealdade como obreiros deve estar aplicada em nossa relação com Deus e na relação com nossos líderes e liderados.
As provas, desafios, lutas e adversidades são enfrentadas, superadas e vencidas de forma mais ampla e consistente onde existe a lealdade. No popular o leal está literalmente junto do seu líder para apoiar, se envolver, comprometer, dedicar, participar, aconselhar, sugerir, ou seja, veste a camisa. Isto significa estar na mesma visão e propósito, dentro do que nosso Senhor chamou e vocacionou a cada um.
Lealdade não é bajulação. Ser leal não é conivência com o pecado ou ainda mais, com práticas nocivas e distorcidas da verdade. Ser leal é estar alinhado com a missão e visão de sua liderança, uma vez que a liderança está igualmente alinhada com os princípios da palavra de Deus. Esta é a equação da lealdade cristã e ministerial.
O leal percebe e compreende seu papel dentro do corpo e assim desenvolve as ações em convergência com o cabeça que é Cristo. Quando os dons e ministérios foram distribuídos para edificação da igreja, compreendemos que a referida diversidade de operações do Espirito Santo de Deus estão de acordo com o papel que Cristo entregou para cada um desempenhar (I Co 12:4-11).
Alguns serão pastores, outros evangelistas, mestres e assim por diante. E cada um deve permanecer na vocação que foi chamado. (Efésios 4:11/ 1 Co 12:28) Quando agimos fora desta ótica bíblica, nos perdemos, nos equivocamos, erramos e promovemos a deslealdade. Como a obra de Deus necessita de obreiros leais. Como a obra de Deus sofre com os desleais. Quem é Leal é fiel. Isto exige de cada um a disposição em andar junto, em harmonia e sintonia; é assim que projetos são desenvolvidos de forma equilibrada e consistente.
O contrário é a Deslealdade. Neste caso isto prejudica muito o bom andamento da obra e a saúde do corpo de Cristo. Ela destrói as virtudes e ações desenvolvidas no trabalho. Como obra da carne a deslealdade esta vinculada ao partidarismo, inveja, dissenção, ciúme, ira, ódio e coisas semelhantes a estas… resultado direto da natureza humana caída e que necessidade de restauração através do novo nascimento em Cristo Jesus (Gal 5:20,21).
No aspecto ministerial o caminho da deslealdade segue estágios perceptíveis até alcançar uma concretização plena. Perceber como nasce, cresce e desenvolve esta atitude nociva ao corpo de Cristo , pode auxiliar a cada líder e liderado a combater este erro e auxiliar os que desejam redirecionar suas atitudes , se arrependendo da sua prática.
Para melhor compreensão de como a deslealdade age dentro de cada coração vejamos os seguintes estágios desta semente maligna.
Estágios da Deslealdade:
1. Espírito independente. No livro de Samuel temos a narrativa de um acontecimento que mostra as ações de Joabe em fazer diferente do que lhe foi orientado. Davi estava promovendo a paz e unificação do seu reino e decidiu perdoar Abner por todo período de guerra e conflito que existiu entre eles. Porém Joabe, capitão de Davi, não concordou com este perdão e preparou uma armadilha e matou Abner. Esta atitude de Joabe de assassinar Abner (2 Samuel 3.26,27) foi desleal com seu líder e com seu próximo. Quando estamos debaixo de liderança, precisamos aprender a obedecer nossos líderes. Com quem está o cajado (ferramenta de apoio ao pastor), está a condução do rebanho. A autoridade de condução do rebanho está fundamentada na palavra de Deus (Hb 13:17); é ela que orienta desta forma. É a palavra de Deus que traz a autoridade de governo para liderar. Se o líder segue os princípios da palavra, ele tem autoridade em sua liderança. É importante também compreender que existem muitas formas de organizar, desenvolver e executar as atividades na obra de Deus, e assim se faz necessário ter o coração humilde e aceitar sermos pastoreados e liderados. Existem atividades que o líder pode (muitas vezes deve) ouvir sugestões e ideias (isto é muito bom), existem outras situações que o líder esta seguindo um entendimento espiritual, como sendo uma direção de Deus para aquele cenário; já existem casos que ele precisa decidir fundamentado em sua experiência e vivência; isto quer dizer que existem muitas variáveis a serem levadas em consideração. Além disto, quando se trata da obra de Deus, todas estas decisões e percepções estão dentro da perspectiva bíblica, pois é o fundamento de nossa liderança Cristã. Por isto devemos ter cautela para que a discordância de uma metodologia ou ação não acabe gerando uma insatisfação dentro do nosso coração e assim promova sentimentos e atitudes desleais para com nossos líderes. Não se comporte como Joabe (nesta situação); ele foi desleal com Davi. E não parou aí. No caso de Absalão, Joabe de novo fez diferente do que foi orientado. Ele matou Absalão contrariando Davi (2 Samuel 18.14). Meus queridos agir de forma independente (dentro do contexto que estamos abordando) é agir sem o sentimento de pertencimento. É presunção e orgulho. Como obreiros, nesta seara, somos interdependentes. Quando deixamos que nosso ego dirija nosso comportamento, a conduta será igual a Joabe. Este é o conceito bíblico de corpo: Fazemos parte (I Co 12:27). Este é um assunto que acaba nos levando a análise de outros princípios que merecem ser estudados, como: Confiança, vida cristã, misericórdia, integridade, autoridade e outros tantos. Mas vou resumir, não achando que já esgotamos tudo, mas que apenas iniciamos uma reflexão, a saber: Pertencemos uns aos outros em Cristo e assim nos tratamos como irmãos, membros na mesma família. Temos nossos líderes e pastores e devemos estar conectados e submissos a sua liderança. Quem não sabe ser liderado, dificilmente saberá liderar.

Continua…

Pr. Wendell Miranda (2° vice-presidente da IEADEM, Superintendente do Sistema de Comunicação da AD em Mossoró)

Ensinamentos sobre a justiça de José

Em Mt. 1.19, o evangelista traz a seguinte narrativa: “Então José, seu marido, como era justo, e não a queria infamar, intentou deixa-la secretamente” (ARF). De acordo com esse texto, diante da pretensa infidelidade de Maria, o aquele homem justo quis preservá-la, e planejou se divorciar dela sem causa alardes. No entanto, ao atentar para o grego do Novo Testamento, identificamos nesse versículo a presença de dois particípios: diakaios on (sendo justo) e me telon (não querendo), que associados aos verbos principais – difamar (paradeigmatizo) – e deixar (apolluo) – nos direcionam para um significado que vai além do que se costuma traduzir nas versões bíblicas em português.
Isso porque a maioria dos tradutores tendem a perceber casualidade nos particípios, ou seja, José agiu de tal modo porque era justo e não queria tornar o caso público, denunciando uma suposta imoralidade de Maria. Mas essa interpretação não se aplica à passagem, considerando que tanto a lei romana, quanto tradição judaica exigiam uma denúncia da infidelidade. Sendo assim, o primeiro particípio – diakaios on – deve ser tomado como um concessivo, e não como casualidade. De modo que uma tradução mais apropriada diria que: “ainda que fosse justo, José decidiu…”. Por conseguinte, ele não a denunciou apenas porque era justo, mas também porque não quis denegrir a imagem de Maria.
É preciso também, no contexto da passagem, e da própria cultura judaica e romana, compreender o significado do conceito de justiça, dikaiosune em grego. Ainda que seja verdade que José poderia expor Maria à opinião pública, por causa da concepção de justiça tradicionalmente aceita à época, mediante presença do particípio concessivo no texto, concluímos que ele preferiu agir de maneira diferente, a fim de preservar Maria da ignomínia pública. Mas é importante considerar, com base na análise linguística, que o particípio – dikaios on – trata-se de um concessivo, não propriamente um causativo.
Além disso, é preciso atentar também para o conceito de justiça – dikaiosine – em Mateus, que tem uma especificidade evangélica. Este se coaduna à redefinição dada por Jesus, que exige que seus seguidores a excedem, indo além do que era exigido pelos escribas e fariseus (Mt. 5.20). Nesse Evangelho fica evidente que para o Senhor misericórdia e compaixão não estão muito distantes da justiça. Por esse motivo, aqueles que seguem a Cristo devem suplantar a justiça meramente humana, não apenas cumprindo suas exigências legais, indo muito mais além delas, demonstrando graça, amor e misericórdia.
A esse respeito, devemos aprender, a partir do exemplo de José, e principalmente dos ensinamentos de Jesus, que Deus enfatiza a importância da misericórdia, ao invés de sacrifício (Mt. 9.13; 12.7), dai sua preferência pelo publicanos e pecadores. Com base nesse argumento, compreendemos, com base em Mt. 1.19, que José agiu de maneira diferente do tipo de justiça que se esperava na tradição religiosa. Isso o levou a tomar sua decisão com base em um modelo de retidão que viria a ser exigido por Jesus, a todos aqueles e aquelas que se apresentam como Seus seguidores. Os súditos do Reino de Cristo são bem-aventurados, pois esses têm “fome e sede de justiça (Mt. 5.6).

Ev. José Roberto A. Barbosa (2º Secretário da Assembleia de Deus em Mossoró-RN e professor da EBD)

PORQUE DEVEMOS PERDOAR

A palavra misericórdia, à luz da Bíblia, fala da bondade, amor e graça de Deus para com o ser humano, manifesto no perdão, na proteção, no auxilio, no atendimento e súplicas. Essa disposição de Deus se manifesta desde a criação e acompanhará seu povo até o final dos tempos.
A Bíblia nos diz que certa ocasião o Senhor Jesus estava ensinando sobre o bom relacionamento entre os irmãos no que se refere ao perdão; e o apóstolo Pedro, homem de caráter impulsivo, indagou-lhe quantas vezes deveria perdoar a seu irmão, se sete vezes.
Dizem os estudiosos que tinham razões para mencionar sete vezes, a luz dos ensinamentos rabínicos. A doutrina dos rabis daquele tempo ensinava que uma pessoa devia perdoar no máximo três vezes. Vejam o que diz: “Se um homem comete um erro uma vez, deve perdoá-lo; na segunda vez, deve perdoá-lo; e também na terceira vez; porém, não perdoar na quarta vez.
Esses rabis tinham uma interpretação errada de um texto do primeiro capítulo de Amós. Ali Deus fala da condenação das nações por três transgressões ou por quatro. Dessa expressão, os sábios e escribas judeus, concluíram que o perdão de Deus ia somente até três transgressões. E, sendo assim, o homem não poderia ser mais misericordioso do que Deus.
Pedro, conhecedor da misericórdia do Senhor, tomou o número sugerido pelos rabis, dobrou-o e acrescentou mais um, e perguntou sobre perdoar por sete vezes. Naturalmente, ele pensou que estava sendo muito generoso. Mas, Jesus lhe disse que deveria perdoar setenta vezes sete. O Senhor sabia que depois que perdoássemos alguém 490 vezes, teríamos adquirido o hábito de perdoar.
Estava mostrando a Pedro que, para Deus, não há limite de perdão – que Ele nos perdoará sempre que o buscarmos de coração.
Depois, Jesus contou uma história acerca de um certo servo que foi perdoado em uma grande dívida. Esse homem devia ao outro dez mil talentos. O talento de ouro ou prata era uma moeda romana de grande valor.
Mas esse servo não possuía bens, não tinha nada com que pagar a dívida. Assim sendo, ele e sua família seriam vendidos como escravos. Nós também pecamos contra Deus. E creio que é impossível calcularmos a imensidão e a hediondez de nosso pecado. Acho mesmo que Jesus estava tentando mostrar-nos que nossos pecados são mais ou menos como a terrível dívida desse homem – incalculáveis!
Mas, o senhor daquele servo era homem compassivo e cheio de misericórdia. Tinha amor no coração. O devedor não possuía recursos próprios, assim, como não os possui o pecador.
O credor da parábola moveu-se de compaixão. Soltou o devedor e perdoou-lhe toda a dívida – uma quantia fabulosa. É assim, também, que nosso grande e misericordioso Deus está disposto a fazer conosco e perdoar-nos.
Mas, depois que aquele servo foi perdoado, encontrou-se com outra pessoa que lhe devia uma quantia irrisória – cem denários. Esse não usou de misericórdia e sufocando-o exigia-lhe que pagasse a dívida imediatamente.
Mas, esse devedor também não tinha com que pagar, então o outro lançou-o na prisão.
Se nós já fomos perdoados em incalculável dívida de pecados, devemos ter uma constante atitude de perdão. Foi isso que Jesus quis ensinar ao contar essa história.
Felizmente, os amigos do homem que fora preso, tiveram compaixão dele, e procuraram o senhor daquele servo e lhe narraram o sucedido. O senhor ficou grandemente irado, e entregou seu servo aos torturadores, para que ele pagasse tudo que lhe devia. E, depois, Jesus acrescentou: “Assim também meu Pai celeste vos fará se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mt 18.35).
O perdão tem que partir do coração, senão não será perdão. Essa verdade é ensinada em todo o Novo Testamento. Cada pessoa tem que perdoar aos outros para que seja perdoada. Nós lemos na Bíblia o seguinte: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. Isso implica em que aqueles que não forem misericordiosos não receberão misericórdia. O homem que não consegue perdoar o seu próximo, não deve esperar que Deus o perdoe, pois, assim, o Senhor nos ensinou a orar dizendo: “perdoa-nos assim como nós perdoamos…” Que este ano novo seja o ano do perdão entre marido e mulher, pais e filhos, entre os irmãos, empregados e patrões, amigos e colegas de trabalho, enfim, entre aqueles que são alcançados com a misericórdia de Deus. Vivamos, portanto, a plenitude da bênção de Deus que enriquece e não acrescenta dores (Pv 10.22).

Pr. Francisco Vicente (1º Vice-Presidente da AD em Mossoró e diretor do Departamento de Missões)

CARNAVAL, OBRAS DA CARNE

“Na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra. E, vendo Moisés que o povo estava despido, porque Arão o havia despido para vergonha entre os seus inimigos, pôs-se em pé Moisés na porta ao arraial e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi.” (Êx 32.6,25,26).
Os historiadores afirmam: a origem do carnaval vem das festas da antiguidade, caracterizadas pelas danças ruidosas, máscaras e uma licenciosidade desgovernada. O que estamos vendo nos dias de hoje, é de fato, a mesma imoralidade, com alguns agravantes em relação à sua origem.
Não é o meu objetivo fazer aqui uma interpretação literal do texto acima, mas sim, uma aplicação para os nossos dias, em especial para este período da festa da carne. Não ouso dizer que a origem do carnaval está nesse bacanal ocorrido no sopé do Monte Sinai; mas, nas atitudes do povo: “assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra, o povo estava despido”.
Ainda que alguns tratem e defendam este evento como uma manifestação da cultura popular, na verdade “o carnaval” está eivado de obras da carne, (prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, bebedices, glutonarias, pelejas, homicídios,…), que são claramente condenadas pelas Escrituras Sagradas.
Este “bacanal” não é privilégio dos grandes centros do país, em muitas cidades do nosso estado esta festa mobiliza a maioria dos moradores e arrasta uma multidão que vem de outros lugares. É um período em que as pessoas parecem possuir uma licença para pecar, através da bebedeira desenfreada, das danças sensuais ao som das músicas lascivas, da exposição dos corpos nus, da promiscuidade sexual e do desrespeito às autoridades civis e religiosas.
Este é um período de destruição e prejuízo. Vidas são ceifadas por overdose de drogas, famílias são arruinadas devido à infidelidade conjugal, jovens e adolescentes engravidam prematura e irresponsavelmente, muitos contraem as chamadas DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), além dos inúmeros acidentes automobilísticos, devido a ingestão de bebidas alcoólicas, que, quando não causam mortes, deixam as pessoas inválidas, até mesmo, alguns que nem estavam envolvidos com esta festa.
Então, qual deve ser a posição do cristão diante do carnaval? Devemos sair de cena para um retiro espiritual? Devemos aproveitar a oportunidade para a evangelização? Há quem justifique como estratégia evangelística a participação efetiva na festa do carnaval, desfilando com carros alegóricos e blocos evangélicos, o que não deixa de ser uma tremenda associação com a profanação.
A resposta cabe a cada um, porém, é preciso deixar claro que o propósito da igreja é fazer conhecido ao mundo, que está mergulhado no pecado, um Deus que, dentre muitos atributos é Santo, Santo, Santo.
Portanto, meus amados irmãos, membros e congregados da nossa IEADERN, fiquemos com o que diz a Bíblia Sagrada: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (I Jo 2.15-17).

“Para que todos sejam um”

Pr. Martim Alves da Silva (Presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Estado do Rio Grande do Norte (IEADERN) e da Convenção Estadual de Ministros da Assembleia de Deus no Estado do Rio Grande do Norte (CEMADERN).

VOCÊ CONFIA EM DEUS?

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nEle, e ele o fará” Salmos 37:5

Nessa semana fiquei pensando na vida de Jó antes dele passar tudo o que passou, pois ele era o homem mais poderoso do oriente e sua vida aparentemente era uma vida de intimidade com Deus.
Porque ele buscava com todo o seu entendimento ao Senhor.
Uma das principais características de Jó era a sua gratidão perante o Senhor Deus, ele tinha tudo, riquezas, bens sem fim, uma família aparentemente unida. Mesmo assim Jó não havia se esquecia de agradecer a Deus tudo o que ele tinha dado. Você tem feito isso? Agradece ao Senhor por tua família e bens?
Jó ele era tão temente a Deus que até o Senhor disse: “Ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1:8).
E eu pensando nessa afirmação me perguntei: Será que Deus diria tudo isso de mim a seu inimigo?
Jó tinha tudo o que nós nos dias de hoje queremos: a comunhão em sua casa, servos a seus dispor e todo o tipo de riqueza, e mesmo assim ele não abandonou o Senhor. Nós quando ganhamos uma casa na praia já “esquecemos” de agradecer, de ir à igreja e entre outras que nos afastam do Senhor. Esquecemos tudo o que passamos para alcançar o que temos hoje.
Jó mesmo depois de tudo o que passou sabia que Deus tinha um propósito para sua vida, portanto, mesmo que o mar não se abra tenha a certeza que Deus está te observando o tempo todo, ele está atento à sua voz e Deus tem um proposito para todas as coisas quando confiamos nEle.
Agora se pergunte: Você confia em Deus? É por isso que Deus Muitas vezes nos coloca num deserto e não entendemos o porquê daquilo. Mas saiba que o deserto é lugar de reencontro, do Senhor passar você de fase. Se observarmos, Jó passou por um deserto terrível, e o que ele fez? Confiou em Deus. Por isso eu digo, pode estar difícil, você pode estar no seu limite; mas não deixe de acreditar que Deus tem o melhor pra sua vida e pra história da sua família.
Você pode estar achando agora que Deus te abandonou, mas Deus me escolheu pra dizer a você que Ele está sempre no comando, o Diabo pode falar o contrario de tudo o que eu te falei, mas não acredita nele não ele só veio pra nós tirar do caminho eterno.

FONTE: estudos.gospelmais.com.br

Abrão continuou crendo no Senhor

A versão bíblica Corrigida de Almeida, se referindo a Abrão, declara: “e creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça”. Essa afirmação é bastante relevante no contexto cristão, tendo em vista ser citada posteriormente por Paulo (Rm. 4.3; Gl. 3.6) e Tiago (Tg. 2.23). Por esse motivo, faz-se necessário refletir a respeito do seu significado, identificando suas nuances a parti do hebraico bíblico. Destacamos, a princípio, que o verbo aman no início do versículo se encontra no contínuo, e não no perfeito.

Sendo assim, uma tradução mais apropriada seria: “ele estava crendo”, ao invés de “ele creu”. Trata-se do aspecto do verbo, e te ver com sua duração, que nem sempre é traduzida nas versões bíblicas. Mas esse significado é importante, pois demarca se uma ação foi concluída ou se encontra em curso. No versículo em foco, indica que Abrão não terminou de crer no Senhor, mas que estava ainda acreditando. Certamente o patriarca começou a crer no Senhor quando se encontrava ainda em Canaã (Gn. 12).

No entanto, sua crença estava ainda em andamento, e o motivava a seguir adiante. Na verdade, ao acompanharmos a vida de Abrão (hb. pai exaltado) no Gênesis, até que esse venha a ser chamado Abraão (hb. pai de uma multidão), mostra que sua fé crescia, ao longo da experiência com Deus. A fé de Abrão, como acontece com a maioria dos crentes, foi testada, resultando em maturidade.  Certamente, o maior teste na vida de Abrão se encontra em Gn. 22, quando foi desafiado a sacrificar seu próprio filho. Tiago, ao ressaltar a fé do patriarca, estava se referindo a esse episódio.

Tiago e Paulo enfocam de maneira diferenciada esse versículo, o primeiro ressalta o desafio enfrentado pelo patriarca na subida ao Monte, a fim de sacrificar seu próprio filho. Enquanto que o último demarca a segunda parte do versículo, na qual está escrito que “foi-lhe imputado por justiça”.  Nessa segunda parte do texto, diferentemente da primeira, a ação foi completada, pois em hebraico se trata de um wayyiqtol, uma ação que está finalizada no passado.

Outro detalhe importante nesse versículo é a ambiguidade com a qual no deparamos no “lhe”, que somente poderá ser dirimida pelo contexto. Faz-se necessário determinar se esse “lhe” se refere a Deus que justificou Abrão ou se foi a fidelidade de Deus que o justificou. É mais provável, pelo contexto de Romanos 4, que o “lhe” se refira à “fidelidade de Abrão”, por meio da qual o patriarca foi declarado justo, sendo considerado “pai daqueles que creem” (Hb. 11.1). Aprendemos, com base em Gn. 15.6, e nas referências de Paulo e Tiago, que Abrão “continuou crendo ou confiando no Senhor”.

Em suma, a partir da análise desse texto em hebraico, somos desafiados a seguir adiante, e reconhecer que nossa fé é continua, e está sempre em progresso, sendo submetida a teste, a fim de alcançarmos maturidade. Podemos afirmar que cremos no Senhor (no passado), ao mesmo tempo em que “estamos crendo” (no presente), continuaremos crendo (no futuro), a fim de sermos recompensados.

Como Abraão, devemos continuar crendo “contra toda esperança” (Rm. 4.18), apesar das adversidades, confiantes na justiça divina, que nos conduz firmes, até o fim.

Ev. José Roberto A. Barbosa (Teólogo e Linguista, membro da Diretoria e Superintendente Geral da Escola Bíblica Dominical da IEADEM)

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