GALARDÃO

A salvação é provida por Deus é gratuita, não vem por meio de méritos humanos, para que ninguém se glorie (Ef. 2.8,9). Mas isso não quer dizer que aqueles que serão salvos não receberão de Deus o reconhecimento pelo trabalho realizado. A recompensa do Senhor, para aqueles que labutam no Seu reino, é comumente traduzida para o português como “galardão”. No hebraico do Antigo Testamento existem várias palavras para se referir à recompensa de Yahweh para o Seu povo. Uma delas é sakhar, com o significado de pagamento, geralmente por um serviço bem feito (II Cr. 15.7). Os próprios filhos, em Sl. 127.3, são considerados sakhar do Senhor.
Uma dos verbos hebraicos mais recorrentes no texto bíblico, com o sentido de recompensar, ou mesmo trazer paz, é shalam. Esse verbo tem uma conotação positiva, associado à benção de Deus, que resulta em prosperidade (Rt. 2.12). Ainda na dimensão humana, shalam tem a ver com a possibilidade humana de recompensar o mal com o bem (Sl. 32.12). Mas também apresenta uma conotação negativa, quando diz respeito ao juízo de Deus sobre aqueles que desobedecem Sua Palavra, e se entregam à prática do pecado (Dt. 7.10). O pecador impenitente, que não se arrepende das suas transgressões, receberá o julgamento do Senhor.
Outro verbo hebraico, que tem a ver com recompensa, é gamal, também com conotações positivas e negativas. Através dessa palavra confirmamos o ensinamento escriturístico da reta recompensa divina, tanto para aqueles que praticam o bem (II Sm. 22.21), quanto para aqueles que fazem o mal (Jl. 3.4). O substantivo derivado desse verbo é gemul, e diz respeito à recompensa de Deus para os justos (Pv. 19.17) e para os ímpios (Sl. 28.4). O autor do Sl. 1 expressa de maneira poética a distinção que Deus faz entre o caminho dos justos e dos ímpios. Aqueles que seguem as veredas do Senhor colherão os frutos da sua bondade, mas aqueles que trilham o caminho da desobediência serão destruídos.
O ensinamento da recompensa divina é recorrente também no Novo Testamento. Em Mt. 16.27 Jesus alerta que o Filho do Homem virá para recompensar as pessoas, de acordo com suas obras. O substantivo grego misthos denota compensação, seja ela adquirida, ou por meio de méritos. Em alguns casos essa palavra tem a ver com o pagamento recebido por um trabalho bem feito (I Tm. 5.18; Tg. 5.4). Nos textos paulinos esse termo passa a ter um significado mais teológico, principalmente no que tange à doutrina da salvação. Para Paulo, a justiça divina não é obtida por meio das obras (Rm. 4.4,5). Ninguém pode se justificar diante de Deus por meio dos méritos próprios.
O Senhor Jesus também promete galardão aqueles que enfrentam perseguições por causa do Seu nome (Mt. 5.12). Essa recompensa se aplica àqueles que permanecem fieis no serviço a Cristo, a eles está destinado uma misthos eterno (Mt. 20.8; Jo. 4.36; II Jo. 8). O galardão do Senhor deve servir de motivação para que os crentes façam a obra do Senhor com dedicação. Mas é preciso ter cuidado para não transformar os prêmios terrenos em um fim em si mesmo. Há ainda o risco de trabalhar na terra apenas para impressionar outras pessoas, até mesmo as autoridades eclesiásticas. Quando isso acontece, tende-se a ofuscar o brilho do galardão celestial (Mt. 6.1-16; II Pe. 2.15).
Por isso, devemos nos precaver a esse respeito, cientes de que a intenção do nosso trabalho será avaliada, por ocasião do julgamento das obras, quando a igreja se encontrar com o Senhor nos ares (I Ts. 4.13-17). Somente as obras que estiverem fundamentadas em Cristo receberão o reconhecimento de Deus (I Co. 3.14,15). Existem muitos que estão fundamentando suas obras na autojustiça, tantos outros a fim de serem glorificados pelos homens, mas somente aqueles que trabalham para Deus receberão a eterna recompensa. Trabalhemos na seara do Senhor, e depois de fazermos tudo, assumamos que não fizemos mais do que deveríamos, e que não passamos de servos inúteis (Lc. 17.10).
O Senhor, em tempo oportuno, avaliará a motivação do nosso trabalho. E Ele, com reta justiça, reconhecerá que o trabalho feito com esmero não foi vão (I Co. 15.58). A esse respeito nos admoesta o autor da Epístola aos Hebreus: “porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do amor que para com o seu nome mostrastes, porquanto serviste aos santos, e ainda os servis” (Hb. 6.10).

Ev. José Roberto A. Barbosa (2º Secretário da Assembleia de Deus em Mossoró-RN e professor da EBD)

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