Eis que estou à porta, e bato

É comum ouvirmos em pregações a citação de Ap. 3.20: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”. O que acontece nesses casos é uma recontextualização do versículo, ou mesmo uma aplicação, adequando-o a necessidade do pecador se arrepender dos seus pecados, e receber a salvação em Cristo Jesus. No entanto, ao analisar essa passagem em seu contexto, verificamos que não se trata de uma mensagem eminentemente evangelística, antes de um apelo para uma igreja que havia deixado Jesus do lado de fora.
Esse texto faz parte de uma série de cartas que foram direcionadas por Jesus às sete igrejas da Ásia Menor. E mais especificamente, para a igreja de Laodiceia, conhecida por sua riqueza e opulência, pela produção de unguentos especiais, tecidos finos e lustrosos. Aquela igreja estava cega para a verdade, gloriava-se daquilo que era secundário, da sua riqueza e poder secular. Mas Jesus avalia que, na verdade, era “infeliz, pobre, cego e nu”. Devemos ter cuidado para não fazermos como aquela igreja, e colocar em primeiro plano aquilo que Jesus considera secundário, ou desprezível.
O principal perigo que ronda as igrejas contemporâneas, o mesmo que circundava a de Laodiceia, é a de confiarmos demasiadamente em nós mesmos, e dependermos cada vez menos de Deus. Aquela igreja, como muitas dos dias atuais, perderam a visão espiritual, tornaram-se mornas ao se preocuparem demasiadamente em agradar o mundo. Naquela cidade havia unguentos preciosos para os olhos, mas a igreja estava cega para as verdades espirituais. Por isso Jesus admoesta para que essa “unjas os olhos com colírio, para que vejas”. Mais nem tudo está perdido, a mensagem de Jesus é de advertência: “sê, pois, zeloso e arrepende-te”.
E nesse contexto que o Senhor declara: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (v. 20). Não que seja errado usar esse versículo para as pregações evangelísticas, mas não podemos esquecer do seu propósito inicial. Como cristãos, comprometidos com o anuncio do evangelho, não podemos deixar de ser aquilo para o qual fomos vocacionados: igreja. As distrações mundanas são as mais diversas, somos atraídos pelo poder, fama e riqueza. Talvez o mundo nos avalie pelo poderio secular que detemos, mas não podemos desconsiderar que importa antes a avaliação de Cristo.
É lamentável constatar que existem igrejas que colocaram Jesus para o lado de fora, que se secularizaram tanto que O perderam de vista. A essas Ele continua declarando: “Eis que estou à porta, e bato”. Antes que seja tarde demais, é preciso convidá-LO a entrar, a fim de receber na dimensão escatológica, aquilo que nos prometeu: “ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (v. 21). Faz-se necessário, portanto, permanecer atento à voz do Senhor, para não se voltar para as glórias do mundo. A esse respeito, um alerta final: “quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 22).

Ev. José Roberto A. Barbosa (2º Secretário da Assembleia de Deus em Mossoró-RN e professor da EBD)

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