AMABILIDADE E BONDADE

Amabilidade e bondade são as palavras usadas na versão NVI para traduzir os vocábulos gregos “chrestotes” e “agathosune”, respectivamente, os quais aparecem no texto original grego de Gl 5.22 como dois aspectos do fruto do Espírito. Outras versões preferem traduzir “chrestotes” por benignidade (ARC, ARA, AS21) ou por delicadeza (NTLH). Apesar de “chrestotes” e “agathosune” apresentarem significados semelhantes, Paulo as apresenta em Gl 5.22 com significados distintos.
Como uma faceta do fruto do Espírito, “chrestotes” indica amabilidade, afetuosidade, gentileza, delicadeza, suavidade, cortesia, brandura, carinho, meiguice, ternura e doçura no trato com as pessoas. Por meio da “chrestotes” o crente tem uma pré-disposição para ser agradável e para demonstrar sensibilidade, finura e educação no relacionamento com as pessoas. A pessoa que ama o próximo como a si mesmo (Mc 12.31) necessariamente deve evidenciar essa qualidade na sua vida.
No Novo Testamento Grego a palavra “chrestotes” ocorre dez vezes (Rm 2.4; 3.12; 11.22; 2 Co 6.6; Gl 5.22; Ef 2.7; Cl 3.12 e Tt 3.4), sendo que só em Rm 11.22 ela ocorre três vezes. Em primeiro lugar, devemos entender que Deus é rico em “chrestotes” (Rm 2.4) e nos trata com “chrestotes”, ou seja, com amabilidade ou benignidade (Rm 11.22; Ef 2.7; Tt 3.4).
Longe de Deus, o ser humano pecador não pratica bem nenhum. Apóstolo Paulo afirmou: “…não há ninguém que faça o bem (gr. “chrestotes”), não há nem um sequer” (Rm 3.12). Porém, quando a pessoa aceita a Jesus como salvador, ela começa a evidenciar amabilidade (gr. “chrestotes”) no seu relacionamento com os outros, evidenciando uma das virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22). A Bíblia ordena a todos nós: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade (gr. “chrestotes”), humildade, mansidão, longanimidade” (Cl 3.12).
A amabilidade é uma virtude que se manifesta no relacionamento do cristão com outras pessoas. Enquanto a pessoa carnal se relaciona com os outros praticando obras da carne, tais como ciúme, invejas, ambições egoístas, contendas de palavras, inimizades, iras e dissensões (Gl 5.20-21), o crente deve evidenciar em seus relacionamentos a amabilidade e a pré-disposição para ser benigno e fazer o bem ao próximo.
Apóstolo Paulo evidenciava gentileza em seus relacionamentos, a ponto dele se apresentar aos Coríntios como exemplo de amabilidade: “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade (gr. “chrestotes”), no Espírito Santo, no amor não fingido” (2 Co 6.4,6).
O substantivo grego “agathosune” ocorre apenas quatro vezes na Bíblia (Rm 15.14; Gl 5.22; Ef 5.9; 2 Ts 1.11). Como uma das virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22), “agathosune” significa bondade, beneficência, benevolência e generosidade no servir aos outros. A pessoa bondosa sempre manifesta boa vontade para com os outros e possui o hábito de fazer o bem. Bondade denota filantropia, serviço ou ministério em favor do próximo. Também significa um espírito de generosidade colocado em prática, concernente ao serviço altruísta e abnegado. Bondade é o resultado natural da gentileza, é a amabilidade em ação, é a manifestação da ternura, compaixão e brandura no sentido de fazer alguma boa ação em favor do próximo.
A Bíblia dá testemunho de pessoas bondosas. Jó praticava muitos atos de bondade em favor dos necessitados (Jó 29.15-17; 31.32). Davi praticou bondade altruísta e abnegada em favor de Mefibosete (2 Sm 9.1-7). O bom samaritano demonstrou amor ao próximo e praticou muita bondade para com um desconhecido (Lc 10.25-37). Os evangelhos revelam que a característica mais evidente de Jesus era a bondade como manifestação de amor ao próximo (Mt 4.23-24; 14.13-21; 15.32; Lc 4.18). Pedro disse que Jesus “…andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo…” (At 10.38).
Uma vez que o crente salvo é participante da natureza divina (2 Pe 1.4), ele naturalmente vai produzir a bondade (gr. “agathosune”) como uma virtude do fruto do Espírito (Gl 5.22). Paulo tinha certeza que os irmãos de Roma estavam cheios de bondade (Rm 15.14). Aos Efésios ele afirmou: “porque o fruto do Espírito está em toda bondade (gr. “agathosune”), e justiça, e verdade” (Ef 5.9).
O mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19) e os pecados sociais ou de relacionamentos (Gl 5.20-21) se avolumam, em flagrante transgressão ao mandamento de amar o próximo como a si mesmo (Mc 12.31). Ao cristão verdadeiro, cumpre o dever de praticar a amabilidade e a bondade como evidências desse amor (Jo 13.34-35).

Ev. Fábio Henrique (1º Secretário da Assembleia de Deus em Mossoró-RN e professor da EBD e do CETADEM).

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